Técnicas de levantamento de requisitos

São muitas as técnicas que podem ser utilizadas para o levantamento de requisitos. Agora, estudaremos as mais utilizadas: análise de documentos, entrevistas, workshop/reunião ou oficina, prototipação (CASTRO et al, 2014).

A análise de documentos é um passo muito importante na elicitação de requisitos. É necessário conhecer a organização, as áreas envolvidas, o sistema existente (se for uma manutenção) ou as metas e objetivos organizacionais com relação ao sistema a ser desenvolvido. É importante para o desenvolvedor ir à primeira entrevista já com um conhecimento prévio do ambiente, do sistema, da organização. Essas informações podem ser obtidas na internet (site da organização) ou mesmo em documentos organizacionais que sejam entregues pelos stakeholders para a equipe.

A entrevista é a técnica de elicitação mais utilizada e de simples implementação. Isso se deve ao fato de que a comunicação utilizada nas entrevistas é mais natural, simples e pode ser utilizada em várias situações.

O objetivo da entrevista é a obtenção de informações, fatos vivenciados, tendências e experiências sobre a empresa e suas atividades. Fornece uma visão concreta da realidade. Os requisitos são derivados das respostas a essas questões.

Segundo Sommerville (2011), as entrevistas podem ser fechadas e abertas. Fechadas quando o desenvolvedor leva uma série de questões pré-definidas a serem respondidas; e abertas quando não existe um roteiro pré-definido de questões e a equipe de desenvolvedores explora diversos assuntos objetivando o entendimento do sistema.

Fique Ligado!

Para realizar uma entrevista, é necessário que o desenvolvedor se prepare, considerando os seguintes pontos (Castro et al, 2014):

● Identificar ideias gerais sobre a organização, o tipo de produto, o domínio do problema; 

● Estudar os documentos organizacionais; 

● Identificar as pessoas a serem entrevistadas; 

● Definir objetivos, escopo e duração da entrevista (previsão do tempo da entrevista); 

● Preparar um roteiro; 

● Providenciar material necessário para a entrevista. 

Além disso, é importante que ao iniciar a entrevista, o entrevistador apresente a equipe, os objetivos da entrevista, a previsão do tempo a ser gasto. E, se for gravar, que peça autorização. Ao término desta, ele não pode se esquecer de agradecer, fazer um breve resumo do que foi discutido, informar como essas informações serão validadas pelo cliente (ata, e-mail etc.) e, se necessário, marcar a próxima entrevista.

A técnica de workshop, também chamada de oficina, tem por objetivo juntar os stakeholders de um projeto por um determinado período de tempo para discutirem os aspectos mais importantes para o desenvolvimento da aplicação. Trata-se de uma técnica de elicitação em grupo usada em uma reunião estruturada. Fazem parte do grupo os desenvolvedores e uma seleção dos stakeholders que melhor representam o contexto em que o sistema será usado, possibilitando a obtenção de um conjunto de requisitos bem definidos. O workshop tem o objetivo de incentivar o trabalho em equipe, o consenso e a concordância em um curto espaço de tempo (CASTRO et al, 2014).

O workshop traz alguns benefícios, tais como: envolvimento de todos os interessados, agiliza o entendimento do projeto do Sistema, facilita a obtenção de consenso, pois agrega as partes interessadas.

Fique Ligado!

O workshop necessita também de uma preparação detalhada que envolve:

definição de participantes, definição de agenda, logística, distribuição do material com antecedência para que todos os participantes cheguem à reunião informados sobre o que será discutido e o que se espera como resultado e, por fim, sensibilização envolvendo os benefícios da sessão. 

Os workshops são, muitas vezes, realizados em uma série de sessões, com duração de 3 ou 4 horas cada. Estas sessões são realizadas duas ou três vezes por semana e, em média, possuem 4 a 12 participantes. Isto inclui tanto o domínio do negócio como da solução (CASTRO et al, 2014).

Antes dos workshops, normalmente, são realizadas entrevistas para que os desenvolvedores entendam o domínio do negócio, a política, o problema e os objetivos do projeto. 

A técnica de Prototipação (BEZERRA, 2006) serve de complemento na análise de requisitos. Protótipos são esboços e podem ser criados para telas de entrada, de saída, consultas ou mesmo o sistema inteiro.

Na Engenharia de software, após a elicitação de requisitos, o protótipo é construído para ser validado junto aos usuários. Essa técnica assegura que os requisitos foram bem entendidos e que começaremos a produzir o produto correto.

As definições de requisitos são conceitos abstratos. Retratam o que o cliente pretende que o software faça. Retratam um pensamento. Os protótipos são coisas concretas, telas de entrada, de saída. Para o usuário trabalhar com coisas concretas é mais fácil; e para os desenvolvedores é a garantia de que o que foi entendido no processo de comunicação estava correto.

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